terça-feira, 27 de outubro de 2020


 

2019 OS 88 ANOS DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932


No dia 09 de Julho de 2020 comemoramos os 88 anos da preciosa passagem da nossa história que foi a Revolução Constitucionalista de 1932. Vamos brevemente relembrar os principais fatos históricos.  Março de 1930: fim da República Velha, também conhecida por " República do Café com Leite" porque ora São Paulo, ora Minas Gerais, tinham o direito de eleger o Presidente da República, em um processo suspeito e pouco representativo. O último presidente da República Velha  foi Washington Luiz . Nessa eleição seria a vez de Minas Gerais indicar o presidente, mas houve uma discordância e ficou de assumir Júlio Prestes, paulista, que havia ganhado as eleições. A discordância entre São Paulo  Minas Gerais rompeu o acordo e Getúlio Vargas ( Rio Grande do Sul)  acabou sendo escolhido. Por meio da chamada Revolução de 1930, Getúlio Vargas,  mesmo derrotado nas urnas, toma o poder, apoiado pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, assumindo  papel de "ditador". Entre seus apoiadores estavam forças militares ligadas ao "tenentismo ", que nos anos 20 exigiam mudanças e maiores possibilidades de ascensão social. No lugar dos governadores dos estados Getúlio  nomeia interventores, em boa parte militares, inclusive São Paulo, prejudicando os interesses da população, restringindo direitos do povo e prejudicando empresários. Em São Paulo os cafeicultores ,outrora poderosos na economia e na política, eram mais uma vez prejudicados, pois já perdendo dinheiro  com a queda de preços em virtude da queda da demanda internacional  Grande Depressão dos anos 30). Em uma breve retrospecto histórico vejamos. 23 de maio de 1932:  uma multidão  protesta em São Paulo, o cortejo atravessou o Viaduto do Chá e chegou à Praça da República onde começaram os protestos diante de um edifício onde havia um escritório com seguidores ( armados) de Getúlio Vargas; alguns paulistas revoltados começavam a subir o prédio pelas laterais, de dentro, sentindo-se ameaçados, os partidários de Getúlio dispararam suas sub-metralhadoras, as rajadas de balas caíram na multidão, muitos foram feridos e cerca de 11 vieram a perecer. Segundo Ventura (2020) dentre os revoltosos que morreram destacavam-se na frente Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo (MMDC); eram homens do povo: Mário Martins de Almeida era fazendeiro em sertãozinho; Euclides Miragaia era auxiliar de Cartório; Dráuzio Marcondes de Sousa era farmacêutico e Antônio  Camargo de Andrade era cafeicultor, em sua, os quatro pessoas comuns do povo. Não eram simplesmente "estudantes" como equivocadamente muitos os tem chamado. A partir de então surgiu o codinome "MMDC" sob cujo nome reuniões secretas passaram a ser realizadas em São Paulo, geralmente  na tradicional " Posillipo"  , à Rua Pain 277, depois extinta, para planejar a revolução armada cujo objetivo seria depor o ditador Getúlio Vargas. O movimento cresceu e encorpou, sendo formado pela antiga Força Pública, atual Polícia Militar, com mais de 10,000 combatentes, as forças do Exército Paulista, uns 3500 homens e o restante de voluntários, uns 40,000 homens, mas fuzis em número limitado restringindo o número de combatentes. Fala-se que havia entre 100.000 e 200.000  paulistas que desejavam ir a combate por São Paulo, sendo de Piracicaba uns 600 homens e de São Pedro e região 36. Entre os voluntários estavam os sendo 27 são-pedrenses dentre os quais meu pai, Sebastião de Azevedo Aguiar. 09 de Julho de 1932: São Paulo entrou na luta para resgatar seus direitos aguardando o apoio de Minas Gerais e Mato Grosso, onde haviam importantes contingentes do exército. A guerra deu-se em duas frentes a saber, na  Frente Sul, onde os paulistas combateram os destemidos gaúchos, tanto é que deram-se combates  intensos em  Buri e a Frente Norte, com destaque para as regiões do Vale do Paraíba. Soldados de Getúlio Vargas desembarcavam em praias de Santos e subiam a Serra da Mantiqueira, atingindo regiões próximas a Cunha  A disparidade de forças em número e em qualidade de  equipamentos era insuperável para os paulistas. 02 de Outubro de 1932: ante o poderio do inimigo que infligia crescente número de baixas nos paulistas São Paulo decide firmar um Protocolo para Cessar as Hostilidades no Colégio Ranulfo Azevedo, em 02 de Outubro de 1932, na cidade de Cruzeiro, cessando as hostilidades, situação que até hoje se perpetuou. São Paulo nunca se rendeu. A ditadura de Getúlio Vargas foi reimplantada em São Paulo onde um general tomou o poder. São Paulo foi derrotado nas armas mas não nos seus direitos porque o então Presidente e Ditador Getúlio Vargas concede ao povo brasileiro uma  nova Constituição Federal, em 1934, restaurando, parcialmente, os direitos exigidos. A Revolução Constitucionalista de 1932 deixou marcas profundas no um enorme contingente oficialmente contabilizados em 934 mortos ( na realidade um número superior de até 2000 mortos aproximadamente). As famílias dos revolucionários paulistas houveram por bem erigir um monumento exaltando o patriotismo do povo paulista, ou seja o conhecido Obelisco do Ibirapuera que contém o Mausoléo, onde se acham caixinhas de metal contendo os restos mortais dos heróis do movimento ( os quadro do MMDC, além de Paulo Virgínio, herói de Cunha) e outros cerca de 900 herois de 1932 e combatentes.  O Governo da Ex-Presidente Dilma Rousseff reconheceu que Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram heróis nacionais. 



 

sábado, 24 de outubro de 2020

OS HEROIS DE SAO PEDRO NA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 E " JOSE AUGUSTO FROTA ESCOBAR"

                                               HEROIS DE SAO PEDRO EM 1932

                                          ( Fotos disponiveis em ordem alfabética)


HERÓI POR EXCELÊNCIA JOSÉ AUGUSTO FROTA ESCOBAR


Dos 36 voluntários ( 27 por São Pedro e 9 de regiões  vizinhas) JOSE AUGUSTO FROTA ESCOBAR foi um combatente especial que São Pedro enviou, pois foi o único que deu sua vida em uma batalha em Buri, região onde houveram duríssimos combates contra os combatentes gaúchos de Getútlio Vargas. Faleceu ao ser alvejado, no momento em que, como socorrista, entrava no campo da batalha justamente para salvar um amigo Enes Silveria Mello também atngido mortalmente pelo fogo inimigo.

 



                                                       1. ANTONIO LARANGEIRA




2 - JOAO BATISTA MIRANDA

3.JOAQUIM NORBERTO DE TOLEDO ("QUINZINHO")




4 - JOSE AUGUSTO ESCOBAR 


5 - KHALIR FARAH



6. SEBASTIAO RODRIGUES


7. SEBASTIAO DE AZEVEDO AGUIAR ("ZITO")

Como voluntário em 1932


Atuando como Prefeito por 2 meses, por indicação.


 FOTOS HISTORICAS DE SAOPEDRENSES QUE COMBATERAM EM 1932


1. JOAQUIM NORBERTO DE TOLEDO ( "Quinzinho"  lado direito) e SEBASTIAO DE AZEVEDO AGUIAR ("Zito")  APOS O TERMINO DA REVOLUÇÃO EM PIRACICABA 



2 - SEBASTIAO DE AZEVEDO AGUIAR E COMPANHEIROS COMBATENTES 

Em pé da esquerda para a direita "Quinzinho". Abaixado o segundo a direita Zito Aguiar,
 



 FOTOS HISTORICAS DE SÃO PEDRO EM 1932


1. MARCHA DA FAMILIA COM DEUS PELA LIBERDADE


Em 1961 Janio Quadros reunuciou ao cargo de  Presidente da República, assumindo o vice Presidente  Joao Goulart. Sua inclinação para regimes políticos alternativos ( menos conservadores) provocou uma forte reação da maioria do povo brasileiro que foi às ruas exigindo a sua renúncia. Na foto os ex-combatentes de 1932 e seus familiares.Podemos identificar alguns:

De capacete lado esquerdo Joaqum Norberto de Toledo ("Quinzinho), atraz portando a faixa João Francisco de Aguiar, abaixo da faixa seu pai ex combatente Sebastiao de Azavedo Aguiar ("Zito"). No lado direito extremo a filha de "Quinzinho", Maria Helena de Toledo. Do lado direito de "Quinzinho) a profa Ondina Mendes e à frene portando  bandeira seu filho João Paulo Parreira. O menino a frente é um dos filhos de "Quinzinho". 




COMBATENTES E COLABORADORES POR SAO PEDRO EM 1932


                           COMBATENTES DE SÃO PEDRO POR 1932

Antonio Costa Laranjeira

Ataliba Piedade

Ari Soares da Silva

Augusto Vieira Filho

Carlos da Silva

Fernando Claro da Silva

Geraldo Frota de Andrade

Geraldo Pinto  Toledo

Genesio Palmeira

Geraldo Carvalhaes Bastos

Iguatemy de Castro

Iraci de Almeida Leite

Irineu Andrade Escobar

Henrique de Gritti

João Batista   Miranda

Joaquim Norberto de Toledo Jr

José Albino de Camargo

José Augusto Frota Escobar

José Fracassi

José Gonçalves Moral

José Manoel Vicente

José Maria da Siva

José Maria de Arruda Mendes

José Marques

Kalyr Farhat

Luiz Bonilha e Toledo

Luiz Borba

Mario Abib

Orlando Claro da Silva

Orlando Bottene

Paulo Bontorim

Riccioti Betone Filho

Salvio de Sousa

Sebastião de Azevedo Aguiar

Sebastião Rodrigues da Silva

Sebastião Marcondes César.

COLABORADORES EM 1932

Nome

Função

Aláudio Ferraz do Amaral

Prefeito de São Pedro

Epaminondas de Azevedo Aguiar

Secretário da Prefeitura de São Pedro

Felisberto Bottene

Tesoureiro da Prefeitura de São Pedro

Olegário de Moura

Chefe da Fiscalização Policial de São Pedro

Antonio Frare

Colaborador

Ana Paulina de Morato Piedade

Presidente da Cruz Vermelha

Ondina Mendez Parreira

Ajudante da Cruz Vermelha

Beatriz Dalprat

Ajudante da Cruz Vermelha

Jayr Olivieri

Mensageiros ( correio de guerra)

Nelson Olivieri

Mensageiros (correio de guerra)

João José Rodrigues de Moraes

Promotor e idealizador do movimento

Eungenio Danter

Colaborador

Coronel Ataliba Piedade

Colaborador

Teles Ferreira

Colaborador

 




 












 Artigo publicado na "TRIBUNA DE SÃO PEDRO" em Julho de 2020


OS 88 ANOS DA REVOLUÇÃO CONSITUCIONALISTA DE 1932

Na próxima quinta feira comemoraremos os 88 anos da inesquecível Revolução de 1932. oAos poucos vamos pesquisando e compreendendo o que realmente ocorreu e o que os livros escolares não nos ensinaram. Vamos brevemente aos fatos históricos: Março de 1930 – Fim da República Velha . Era chamada de “ República do Café com Leite” porque ora São Paulo, ora Minas Gerais elegiam o presidente, por meio de uma eleição suspeita e pouco representativa . Seu último presidente  Washington Luís seria substituído por Júlio Prestes. Com a chamada “Revolução de 1930” Getúlio Vargas ( derrotado nas urnas) tomou o poder, apoiado por Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, tornando-se  um “ditador”. Entre seus apoiadores estavam forças militares ligadas ao “tenentismo” ( nos anos 20 os tenentes exigiam mudanças sociais). Getúlio Vargas nomeou interventores ( civis e militares), que em São Paulo começam a governar impondo  restrição de direitos, prejudicando a população e os empresários, principalmente da cafeicultura, que sofriam a queda de preços (   Depressão dos anos 30).

23 de maio de 1932: em São Paulo um cortejo atravessou o Viaduto do Xá e chegou à Praça da República onde começaram os protestos diante de um edifício onde havia um escritório dos partidários ( armados) de Getúlio Vargas . Alguns paulistas ameaçaram entrar subindo por fora do prédio;  a pressão levou a uma forte  resposta, pois rajadas de balas caíram sobre a multidão. Na escaramuça muitos foram feridos e o total de mortes chegou a cerca de 11 . Dentre os mortos quatro destacaram-se e seus nomes formaram a sigla para o movimento que iniciou os preparativos para a revolução  MMDC (de Martins, Miragaia, Draúsio e Camargo), homens do povo e não estudantes (VENTURA, 2020).09 de Julho de 1932: São Paulo entrou na luta para resgatar seus direitos aguardando apoio de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, onde haviam forças importantes do exército. A guerra deu-se em duas frentes,  uma no Sul ( houve fortes combates em Buri) e outra na região do Vale do Paraíba ;  soldados de Getúlio Vargas  vinham pela praia de Santos e alcançavam regiões próximas a Cunha. Piracicaba mandou cerca de 600 homens em dois batalhões, com os quais estavam os de São Pedro ( 27) e de regiões vizinhas(9). De Piracicaba não retornaram poco mais de 30 homens, de São Pedro um deles não voltou causando grande comoção, José Augusto Escobar ,02 de Outubro de 1932. Diante de uma força numerosa e fortemente armada, os paulistas temeram o pior e decidiram negociar o fim dos combates. São Paulo concordou  com o fim da guerra assinando um “Armistício” no  Colegio Ranulfo Azevedo em Cruzeiro SP.  A Revolução de 1932 deixou profundas marcas nos paulistas ( fala-se em mais de 1000 mortos, mas oficialmente menos de 700). Derrotado na guerra mas vitorioso na política, Getúlio Vargas cede e é promulgada a Constituição de 1934. No Mausoléo do Ibirapuera há uma tumba central e nessa estão as cinzas dos quatro heróis ( MMDC) e de Paulo Virgínio ( herói de Cunha SP).  O Govermo de Dilma Rousseff reconheceu Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo como " heróis nacionais" e seus nomes acham-se escritos no Panteão da Pátria e da Liberdade ( Memorial Tancredo Neves) em Brasília.Infelizmente, mas de forma solidária com os irmãos que tem sofrido com a “Pandemia do Coronavírus”, dessa vez não teremos nem desfile, nem solenidade em São Pedro, mas apenas uma coroa de flores no monumento em memória dos nossos heróis para evitar aglomeração e contágio. Essa virose tem ceifado vidas preciosas de brasileiros, especialmente dos menos favorecidos, mas há esperança porque São  Paulo não se rendeu em 1932, não vai se render contra essa virose invisível e muito menos  contra aqueles que são  reais ( posto que dissimulados) inimigos da democracia no Brasil.

Prof João Francisco de Aguiar.Filho de ex-combatente de 1932.Representane do MMDC em São Pedro pela Sociedade de Veteranos de 1932.


 OS 90 ANOS DA REVBOLUÇÃO DE 1932